Vários colegas de trabalho da minha querida terrinha me procuram para perguntar quanto devem cobrar por seus trabalhos. Particularmente gosto que tenham essa
preocupação. Querer saber qual é o preço justo do serviço é não querer mais “dar” o suor do rosto, horas a fio na frente do computador, tempo de pesquisa e prática de tutoriais, dias e dias garimpando livros e apostilas, cursos caros, equipamentos idem, por preços desumanos. Aliás, acho que a maturidade profissional começa a surgir quando buscamos impor um preço que, no mínimo, torne digna a vida no mercado onde atuamos. Vou explicar o que quero dizer com “tornar digna a vida no mercado”.
Desde meus primeiros anos no ramo das artes gráficas, eu sempre desejei me profissionalizar ao máximo. Enfrentei diversos gigantes interiores. Tive que aprender, como se diz aqui no nordeste, “na taca” os valores da humildade e do cultivo de bons relacionamentos. Isso foi muito doloroso. Mas, ultimamente o que mais me angustiava era ouvir elogios do tipo “cara seu trabalho é muito bom”, “você é um profissional de primeira linha”, “você está perdido aqui nesse fim de mundo” (esse último é o mais revoltante) e descobrir que apesar de tal reconhecimento a minha receita no fim do mês não dava pra comprar um livro do ramo que não fosse dividido em três vezes. Durante muitos anos eu tive que escolher entre fazer um curso livre na minha área ou ficar dois meses sem pagar o aluguel. Gildânia, minha esposa, sorri quando eu dou esse exemplo: Cheguei a comprar uma bicicleta para ela não ter que sempre me deixar a pé (tínhamos uma moto) quando quisesse ir à casa da mãe ou resolver outra coisa. Tive que escolher a dedo um modelo bom, feminino e que coubesse no orçamento. Acabei dividindo, obrigatoriamente, em cinco parcelas. Ironicamente, no mesmo ano um cliente meu escolhia na concessionária um carro zero quilômetro para a sua esposa não ter que pegar a sua pick-up. Eu até ficaria conformado se os produtos dele não dependessem tanto de profissionais com os meus conhecimentos. Não é inveja, quero chamar a atenção é para a infrutilidade financeira do meu trabalho causado não pelo ramo em si, mas pela minha postura como profissional. Eu poderia citar vários outros exemplos dessa natureza, mas não quero tornar o texto mais extenso. Acho que já deu para entender onde quero chegar. Ter uma vida digna no mercado é poder manter e ajudar a família, ter com que investir na própria carreira, poder, quem sabe, viajar no fim do ano mesmo que seja pra rever os familiares lá em Picos (PI), tudo com a força do seu trabalho, afinal você vive disso.
Para os meus queridos colegas de profissão, acho que a primeira coisa que devem fazer antes de fixar preços é tomar uma atitude e dizer “ei, o meu trabalho também tem valor” e se especializar ao máximo. Recomendo que leiam o livro Viver de Design
de Gilberto Strunck, publicado pela editora 2AB. Nele o autor compartilha um verdadeiro curso de sobrevivência principalmente se você trabalha por conta própria. Strunck fala sobre a importância do Briefing, cálculo do valor da sua hora técnica, como proteger seu trabalho entre muitas outras dicas indispensáveis. Destaco aqui a lição que eu achei a mais interessante: não se deixe especular. Muitos clientes gostam de dizer “faça para eu ver como fica, se eu escolher o seu trabalhão, aí então lhe pago”. Não faça isso. Nas palavras do próprio Strunck:
Esse tipo de relação, em que o cliente nos solicita serviços sem uma remuneração garantida, além de ser aético, é predatório e pode, a médio prazo, inviabilizar o seu negócio e o dos seus colegas.
desenvolvida pela ADG –
Associação de Designers Gráficos. Adapte os preços à realidade econômica do mercado local, para isso, você pode utilizar o Critério de Classificação Econômica Brasil
da ABEP
- Associação de Brasileira de Empresas de Pesquisa . É importante lembrar que não basta somente sair por aí aumentando os preços. O seu trabalho deve estar à altura da profissão que escolheu, os prazos devem ser cumpridos, os retornos devem ser dados. É nesse rumo que estou andando. Boa sorte.Tags:
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